Foto: EVANDER PORTILHO

              Eis que me deparo preocupada em montar um time. Afinal, sozinha eu chego mais rápido, mas eu quero chegar mais longe. Então, nessa vida de quem ousa liderar o próprio caminho, é chegada a hora de ampliar os horizontes e, intencionalmente, convidar outras pessoas para complementar e expandir o sonho que um dia estava apenas no mundo das ideias.

               Do lado de cá, de quem começou a carreira em RH e teve a felicidade de conduzir projetos de transformação de cultura organizacional, o caminho parecia óbvio. É preciso ter clareza do propósito, sair do próprio ego e identificar pessoas que tenham os mesmos valores e que estes transbordem ou alinham-se com os do próprio fundador ou idealizadora do negócio, no caso eu. Tá… eu disse ego??? Já contei que liderar pessoas é sobre autoconhecimento, não é mesmo? Agora liderar negócios é sobre descer em camadas muito mais profundas, entender que o seu lugar na fila do pão não existe mais, quais valores você não abre mão, mas principalmente, quais são as suas sombras.

               É, para quem achou que a maior dificuldade era vender, diferenciar-se da concorrência, encontrar as pessoas certas para o lugar certo, enganou-se. Liderar negócios passa por montar um time que seja capaz de transbordar o propósito para o mundo em formato de produtos e serviços. E aí, eis que uma nova fase de desenvolvimento para quem está a frente deste jogo se estabelece. Identificar o que é essencial e desapegar de um tanto de coisas que me trouxeram até aqui, tem sido uma desconstrução de identidade profunda. Tudo isso para levar uma empresa para lugares novos, os quais não tenho nenhuma clareza onde serão.

Um passo bem mais profundo, quase como se jogar em um abismo. Para tranquilizar a teoria U do Otto Scharmer fica martelando na minha cabeça, junto com um tanto de meditação, entrega, confia.… E a maior competência a ser desenvolvida neste momento do lado de cá tem sido a intuição. A clareza do propósito vai guiar, mas o pensar precisa estar alinhado com o sentir e o agir na maioria das decisões, afinal, queremos ir mais longe, não é mesmo? Então, nessa nova fase de desenvolvimento de time, muito mais que identificar competências complementares ou valores que dão match, ouvir a si mesmo longe do ego, ou especialmente atentar-se a ele nas tomadas de decisão, vai fazer toda a diferença.

Quem achou que liderar pessoas era desafiador, se depara com um lugar muito mais profundo de autoconhecimento e de devolução para a vida do que transborda de forma coletiva quando resolve liderar um negócio. Então o time vai ser sim reflexo da sua consciência ou inconsciência, dos seus medos, crenças limitantes ou daquilo que realmente faz com que vocês juntos brilhem mais e por isso cheguem em novos lugares. O que você escolhe? 😉

Paula Foroni tem pesquisado e reaprendido todos os dias com líderes, times e organizações. Facilitadora em projetos de transformação organizacional. Eterna aluna, hoje está sentada na cadeira do doutorado em Gestão de Pessoas pela Universidade de São Paulo para fazer muitas perguntas e, quem sabe, descobrir novos caminhos. 😊