Adoro ver aqueles quadros pendurados na parede das organizações com a declaração de valores. Na verdade, gosto mais ainda de perceber como a liderança se comporta e aí comparar os dizeres com a realidade. Infelizmente, muitas vezes aquele quadro empoeirado com um monte de palavrinhas soltas reflete apenas a intenção, os valores desejados pela organização, e não aqueles que são praticados no dia a dia. Mas como fazer para que os valores realmente façam parte da vida das pessoas na organização?

Costumo dizer que é igual em casa, não adianta falar e não fazer! 😉 Empresa é igual. Se a intenção é que os valores declarados sejam realmente percebidos, a liderança precisa ser a primeira a fazer parte deste processo. Da (des)construção, isso mesmo, a liderança precisa entender o que aquelas palavrinhas significam. Mais do que isso, elas precisam olhar para os seus próprios valores, será que eles realmente estão alinhados com os da organização? Será que eu como líder tenho aqueles valores como meus? Depois, no dia a dia nós precisamos falar sobre isso, será que os nossos comportamentos estão refletindo aqueles valores? Pode ser que na parede esteja escrito diversidade, mas tem aquele líder que só quer contratar homens, ou mulheres, ou pessoas que tenham um único perfil. Pode ser que na parede esteja escrito foco no cliente mas tem aquele funcionário que só reclama dos clientes.

Então, na prática, como fazer? Existem muitas formas, das mais simples às mais sofisticadas. A primeira é realmente desconstruir aquelas palavrinhas. Precisa entender o que significa cada uma delas para a organização, e traduzir em comportamentos, o que significa ser ético, focado no cliente, eficiente, aberto, etc. Quaisquer que sejam os valores da sua organização, precisam estar descritos os comportamentos que eles se referem. E essa construção, ou (des)construção precisa envolver a liderança. E não é uma diretriz que sai do RH ou top down, é preciso envolver mesmo, construir juntos. Pode ser utilizando ferramentas de mapeamento (por aqui usamos a do Richard Barrett), pode ser conduzindo bate papos estruturados sobre o assunto (aqui chamamos de workshops de aprofundamento), pode ser via treinamento, com vídeos, role plays, peças de teatro, como a organização se identificar. O importante é que as pessoas entendam e se identifiquem com aqueles valores, em especial os líderes. (Se conseguir envolver mais pessoas na organização esse esforço ganha força redobrada!!! 😊)

A segunda parte está relacionada à constância. E aí de novo, é igual em casa, não adianta falar e não fazer! No dia a dia como andam os comportamentos? Precisamos falar desses comportamentos nos diferentes momentos, não apenas na avaliação de desempenho anual. Vamos tomar um café de valores? Ou ter uma bate papo de valor? Pode ser uma conversa semanal ou em qualquer momento que se ache necessário. Mas o interessante é combinar as regras antes. Então lá naquele workshop de aprofundamento, vamos alinhar também como vamos fazer no dia a dia? Que tal construir junto com os líderes e profissionais da sua organização como vocês querem que este assunto seja tratado? Como nós podemos fazer para não nos perdermos no dia a dia, na correria das entregas? Como nós podemos fazer para não esquecermos o que é importante, para não esquecermos os nossos valores? E se tiver algum desalinhamento, como faremos para retomar o rumo??? Pode então ter uma cartilha com perguntas a serem respondidas, pode ter quiz, pode estar descrito como guia para novas contratações, pode ter uma avaliação 360º, um evento para falar sobre os valores, café com o presidente. O que fizer sentido para a organização. A única coisa que não pode é ficar apenas registrado no quadro da parede. 😉

E aí, na sua organização, como vocês fazem? Que práticas vocês usam para tirar os valores da parede e vivê-los no dia a dia?

Paula Foroni conduz projetos de transformação organizacional, desenvolvimento de liderança e formação de times. É consultora, coach, professora e pesquisadora. Mestre em Gestão de Pessoas pela Universidade de São Paulo, é apaixonada em conectar e desenvolver pessoas.