FOTO: Evander Portilho

O que mais me incomoda quando ouço e leio sobre comunicação corporativa é a confusão entre objetivo, conteúdo e meio.

A chegada das novas tecnologias entusiasmou profissionais de comunicação, de Recursos Humanos e de todas as áreas de negócios. De fato, ferramentas de compartilhamento de conhecimento, redes sociais corporativas e canais eletrônicos em geral têm grande utilidade em um plano de comunicação. Mas, como diria o comunicador: uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa…

Excesso de entusiasmo com o meio de comunicação escolhido pode ofuscar o principal: o objetivo. O que pretendo com esse plano de comunicação? Por que, afinal, devo investir nele? Esse deve ser o primeiro ponto a ser discutimos quando procuramos um profissional de comunicação externo ou interno.

 Daí partimos para o conteúdo. Nessa hora já podemos misturar um pouco, já que alguns conteúdos têm ‘cara’ de redes sociais e outros ficam melhor na intranet etc. Mas sempre observando a relação com o objetivo. O que estou buscando? Se busco uma mudança de cultura, é importante reforçar os pontos de mudança e encorajar a adesão das pessoas. Se estou querendo aumentar o engajamento, uma boa ideia é estimular a colaboração. Publicações padrão, tipo ‘funcionário do mês’ perdem totalmente o sentido se não fizeram parte de uma estratégia. Outra armadilha é a falta de clareza. Mensagens confusas ou desalinhadas em relação à estratégia atrapalham mais do ajudam. Entram também questões sobre o tamanho dos textos, que termos usar, quais imagens são adequadas.

A clareza dos objetivos e das mensagens principais é que vai facilitar a escolha dos meios. O uso de tecnologias e redes sociais é extremamente sedutor. Mas ouço relatos de empresas onde o ‘velho e bom’ mural continua ativo e dando resultado. Por outro lado, a queixa de excesso de reuniões e de uma comunicação ‘burocrática’ também é muito presente. O segredo da escolha é conhecer muito bem seu público interno. Hoje, quase todos têm telefone celular, mas nem sempre aplicativos de mensagens são o melhor meio. Outro erro comum é considerar que todas as pessoas gostam de interagir em redes sociais e postar comentários. Não é verdade, nem todos gostam de se expor, ainda mais no ambiente corporativo. Reuniões devem ser usadas parcimônia. Não se pode menosprezar os aspectos subjetivos da comunicação, já que uma boa conversa ou apresentação presencial pode ser muito mais efetiva do que mil relatórios. No entanto, o abuso neste meio é desgastante.

Enfim, é preciso investigar a empresa e as pessoas antes de se propor soluções prontas e milagrosas. Fazer um bom levantamento dos objetivos, propor conteúdos adequados e os melhores meios, eletrônicos ou não. Comunicar é preciso.

Fabiana Fevorini é doutora em RH, professora e quer transformar a gestão de pessoas no país, melhorando o bem-estar dos colaboradores e os resultados organizacionais. Acredita que isso pode ser feito através do desenvolvimento humano e boa comunicação.