Foto: EVANDER PORTILHO na CONVENÇÃO DA CETEC 2021

 

             Quando o Henrique com aquele sotaque lindo de Fortaleza, lá da Cetec Engenharia, me veio com essa pergunta tomei um susto.  Engenheiro(a) precisa de RH? E eu, como uma boa RH treinada em fazer perguntas de coaching, devolvi a pergunta para ele. Precisa? O que você acha?

               E as respostas lindas que a engenharia sempre me dá, e que eu amo desafiá-los a encontrar as respostas, estão relacionadas às relações interpessoais e a comunicação. Porque como diz o querido Henrique, ‘nós engenheiros fomos treinados para resolver problemas, mas não problemas pessoais.” Ahhhh… como eu amo a simplicidade das respostas lógico matemáticas. Como se nós todos pudéssemos ser colocados em uma equação e a resposta iria sair ali, certa, única. Então, tentando responder à pergunta mais difícil que eu já recebi sobre RH, para mim, gente precisa de gente.

               Gente que se interesse verdadeiramente em ouvir, em abrir espaço para que diferentes pontos de vista possam ser colocados, em aprender com a diferença do outro. Gente que igual criança não deixe nunca de se encantar com uma resposta que nunca imaginou que iria dar. Que não assuste na hora que o outro ficar bravo, chorar ou perder a paciência. Gente que vai dizer o que precisa ser dito, sem medo de estremecer a relação, porque sabe que aquele feedback vai ajudar o outro a chegar aonde sozinho ele não chegaria. Gente que pelo olhar, pela voz, pela mensagem no teams sabe que o outro quer falar algo que não conseguiu dizer ali. Gente que vai desafiar, vai provocar porque realmente acredita que pode ir além. Complexo? Será que tem fórmula ou caixa de ferramentas para isso?

               Então, acho que o Henrique não tinha percebido, mas RH tem muito de engenharia, porque também está ali para resolver problemas complexos. Mas para isso precisa ter uma caixa de ferramentas diferente. E dentro dela, saber quais ferramentas usar. Eu, hoje uso muito a escuta ativa, saber ler e interpretar as emoções, técnica de facilitação de grupos, leitura e interpretação dados e sistemas, diagnóstico da cultura organizacional, perguntas de coaching, uma pitada de mentoria e saber que tudo isso só serve se for utilizado para ajudar o outro. Para ajudar o time e a liderança a olharem para si, para o outro e a partir daí mudarem o mundo. Porque a gente só precisa de gente, quando por meio das relações que são estabelecidas nós nos sentimos seguros para demonstrar nossa vulnerabilidade, temos a certeza de que seremos ouvidos sem julgamento, seremos vistos, amados e respeitados em nossa individualidade. E teremos espaço para esvaziar quando for preciso e reorganizar as ideias e emoções para darmos mais um passinho na nossa trajetória.

              E nessa fórmula que tem sim muita engenharia e investigação para entender e ler as emoções, as relações, os sistemas que as pessoas que estão inseridas em uma cultura organizacional e que sofre tantas influências externas da localidade, da sociedade, da economia, que o RH vai ajudar a abrir espaço para o fluir das emoções e das relações e a partir daí, atingir melhores resultados para as pessoas e para o negócio. Então, tentado responder o Henrique e todo time da CETEC que resolve problemas muito complexos e eu amo de paixão, se o RH ajudar vocês a serem melhores pessoas e profissionais, sim! Tenho certeza de que não só a Engenharia, mas todas as pessoas e organizações precisam de um RH! 😉

Paula Foroni tem pesquisado e reaprendido todos os dias com líderes, times e organizações. Facilitadora em projetos de transformação organizacional. Eterna aluna, hoje está sentada na cadeira do doutorado em Gestão de Pessoas pela Universidade de São Paulo para fazer muitas perguntas e, quem sabe, descobrir novos caminhos. 😊